Foi com profunda estupefação que o Clube Desportivo Feirense (CDF) tomou conhecimento das declarações de José Azevedo, diretor desportivo da Efapel, relativamente ao futuro da sua equipa de ciclismo, acusando as instâncias competentes de não colocar termo ao que considera nefasto para a modalidade, deixando no ar insinuações sem especificar os alegados envolvidos, colocando todas as equipas “no mesmo saco”, com insinuações torpes que não podem ficar impunes e por esclarecer.

O CDF nutre um grande respeito pelo grande ciclista que foi, um dos melhores portugueses de todos os tempos, respeitando assim o seu legado. O nosso presidente vê nele um ídolo e, com todo o respeito, trata-o como um grande vulto do ciclismo mundial. Contudo, enquanto diretor desportivo que agora é tem adotado uma postura de ingratidão e de irresponsabilidade para com a modalidade que lhe permitiu ser o que hoje é, de tal maneira que sempre que não ganha – e tem sido quase sempre – ataca em todas as direções, para justificar a seu insucesso quando, em boa verdade, teria tudo para alcançar resultados ímpares, pois é diretor desportivo da melhor e mais organizada equipa/marca do ciclismo luso e com um dos maiores orçamentos, mas para José Azevedo a culpa não é sua, mas sim da batota de todos os outros.

Aqui chegados, há questões que o CDF quer ver esclarecidas, a saber:

1. Se há batota no ciclismo português como José Azevedo insinua, qual a razão para apenas trazer o assunto à discussão no final das competições e quando as perde?
2. Qual a razão de não ser concreto em detrimento de insinuações vagas?
3. Qual a razão para ter catalogado todas as equipas por igual?
4. Quem são os batoteiros a quem se refere?

Sabemos da probabilidade de se defender com as anomalias do passaporte biológico, mas como bem saberá, essas anomalias quando forem detetadas e tornadas públicas já os ciclistas vão estar noutro projeto e noutra equipa que nada tem a ver com o assunto, como, inclusive, já aconteceu com ciclistas da sua equipa.

Vejamos, já em 2022, depois da vitória de Maurício Moreira, o diretor desportivo da Efapel insinuou, sem concretizar, a existência de batota naquela vitória. E o que fez José Azevedo para mudar isso? Nada, mas contratou o referido ciclista dois anos depois, tendo-o feito com a época ainda a decorrer, desrespeitando assim a equipa adversária.

No entanto, no final da Volta a Portugal do ano passado não teve queixas. Para José Azevedo, o ciclismo português estava puro e havia motivo para festejar efusivamente o terceiro lugar na corrida, além de ter ajudado um dos que agora apregoa como batoteiros a destronar Afonso Eulálio, um jovem português de grande futuro.

Assim, conclui-se que a falta de pureza e a alegada batota só são para referir quando dá jeito, isto é, quando nada se ganha.

O CDF exorta o diretor desportivo da Efapel a ajudar o ciclismo português, pelo menos não o destruindo com declarações de mau perdedor, acusando todos porque foram melhores que a sua equipa. Basta ver quem ganhou a prova, o pódio, as etapas e as camisolas.

Não admitimos que José Azevedo dispare em todas as direções sem concretizar o que quis dizer, colocando em causa a idoneidade e profissionalismo do presidente da Federação acabado de chegar, dos seus colegas, de todos os ciclistas e de todos aqueles que sem o dinheiro de que dispõe a Efapel conseguem fazer mais e melhor pelo ciclismo português.

Se José Azevedo deve uma justificação sobre a sua incompetência e insucesso a quem lhe disponibiliza centenas de milhares de euros, que o faça, mas não desta maneira.

O CDF é uma das referências do ciclismo português mas não alinha no chavão de que a modalidade tem de ser repensada, porque isso é uma afirmação inócua, manifestando-se inteiramente ao dispor de todas as entidades que a regulam para, positiva e ativamente, definirem-se estratégias para elevar a sua qualidade.

Se ainda há “doping” ou “batota” no ciclismo, que sejam desmascarados os infratores, sem dúvidas, sem insinuações e sem se classificarem todos por igual. O Clube Desportivo Feirense também quer um “ciclismo limpo”, pois, com esta direção e no dia em que houver doping disponibilizado por quem dirige a nossa secção de ciclismo, esta será imediatamente extinta.

O nosso clube tem mais de um século de existência, dinamizando várias modalidades e mantendo mais de 1.250 atletas a praticar desporto todos os dias, pelo que jamais admitirá que nos envolvam em frustrações alheias.

Viva o Ciclismo, viva o Clube Desportivo Feirense!

A Direção